Receber o diagnóstico de câncer de tireoide pode causar medo e ansiedade. Mas a primeira informação importante é: na maioria dos casos, esse tipo de câncer tem ótimo prognóstico e altas taxas de cura.
Neste artigo, vou explicar de forma clara o que significa esse diagnóstico, quais são os tipos de câncer de tireoide, os fatores de risco, como é feita a confirmação, os tratamentos disponíveis e as chances de cura.
O que é o câncer de tireoide?
O câncer de tireoide acontece quando as células da glândula começam a se multiplicar de forma desordenada, formando um tumor maligno.
Ele representa cerca de 2 a 4% de todos os cânceres diagnosticados no mundo, sendo mais comum em mulheres (3 vezes mais que nos homens) e geralmente diagnosticado entre os 30 e 60 anos.
Tipos de câncer de tireoide
Existem diferentes tipos, com características próprias:
- Carcinoma papilífero – o mais comum, representa cerca de 80 a 85% dos casos. Geralmente tem evolução lenta e alto índice de cura.
- Carcinoma folicular – corresponde a 10 a 15% dos casos. Também tem bom prognóstico, mas pode se espalhar para ossos e pulmões.
- Carcinoma medular – mais raro (aprox. 3 a 4% dos casos). Pode estar associado a fatores genéticos.
- Carcinoma anaplásico – extremamente raro (menos de 2% dos casos), mas é o tipo mais agressivo.
Quais são os fatores de risco?
Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver câncer de tireoide:
- Histórico familiar de câncer de tireoide ou síndromes genéticas;
- Exposição prévia à radiação (especialmente na infância);
- Sexo feminino (3 vezes mais frequente em mulheres);
- Idade entre 30 e 60 anos;
- Deficiência de iodo (em algumas regiões).
É possível prevenir o câncer de tireoide?
Não existe uma forma 100% eficaz de prevenção. Porém, diagnosticar precocemente aumenta muito as chances de cura. Por isso, a avaliação regular com exames de imagem e acompanhamento médico é essencial, especialmente para pessoas com fatores de risco.
Sintomas do câncer de tireoide

Muitos pacientes não apresentam sintomas e o câncer é descoberto em exames de rotina. Quando presentes, os sintomas podem incluir:
- Nódulo no pescoço endurecido e de crescimento rápido;
- Rouquidão persistente;
- Dificuldade para engolir ou respirar;
- Ínguas (gânglios aumentados) no pescoço;
- Sensação de sufocamento.
Como é feito o diagnóstico? A importância da biópsia

Na maioria das vezes, a suspeita de câncer surge após uma punção aspirativa por agulha fina (PAAF). Esse exame coleta células do nódulo para análise e segue a classificação de Bethesda:
- Bethesda 1: Inconclusivo. Provavelmente será necessário uma nova biópsia para saber se esse nódulo é suspeito ou não.
- Bethesda 2: Benigno. Esse nódulo muito provavelmente é benigno.
- Bethesda 3 e 4: Diagnóstico incerto, risco de malignidade de 10 a 40%. Será necessária uma avaliação individualizada e, pode ser indicada cirurgia para confirmar.
- Bethesda 5: Alta suspeita de malignidade (risco em torno de 60 a 75%).
- Bethesda 6: Maligno (câncer confirmado).
Portanto, nem sempre o resultado inicial significa certeza absoluta. Muitas vezes, apenas a cirurgia permite confirmar o diagnóstico definitivo.
Tratamento do câncer de tireoide
O tratamento inicial mais comum é a cirurgia, que pode variar de acordo com o tipo e a extensão do tumor:
- Lobectomia – retirada de apenas metade da glândula. Indicada em tumores menores, com baixo risco.
- Tireoidectomia total – retirada de toda a glândula. Mais comum nos casos confirmados.
- Linfadenectomia (esvaziamento cervical) – retirada dos gânglios linfáticos do pescoço quando há comprometimento local.
Outros tratamentos alternativos e complementares
- Radioiodoterapia (Iodo radioativo): indicada em alguns casos APÓS a cirurgia para destruir células remanescentes.
- Acompanhamento clínico: em tumores muito pequenos, de baixo risco, pode ser possível apenas observar.
- Ablação térmica (em estudo): método novo, ainda em uso restrito para casos específicos.
Chances de cura do câncer de tireoide
Esse é um dos grandes pontos positivos: a taxa de cura do câncer de tireoide é muito alta.
- No carcinoma papilífero e folicular, a taxa de sobrevida em 10 anos é superior a 90–95%.
- A mortalidade é extremamente baixa, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente.
- O carcinoma medular tem prognóstico variável, dependendo se é hereditário ou esporádico.
- O anaplásico, apesar de raro, é o tipo mais agressivo.
👉 Em resumo: na imensa maioria dos casos, o câncer de tireoide tem excelente prognóstico e alta chance de cura.
Conclusão: E agora, doutor?
Receber o diagnóstico de câncer de tireoide assusta, mas é importante saber que a grande maioria dos casos tem tratamento eficaz e altas taxas de cura.
O primeiro passo é procurar um cirurgião de cabeça e pescoço, que vai avaliar o resultado da biópsia, os exames de imagem e indicar o melhor tratamento.
Com cirurgia adequada, acompanhamento médico e, quando necessário, terapias complementares, as chances de uma vida longa e saudável são muito altas.
📅 Se você recebeu o diagnóstico ou tem suspeita de câncer de tireoide, agende sua consulta em Salvador. Estarei à disposição para avaliar seu caso com cuidado e indicar o melhor tratamento.


Dr. Ricardo Zantieff
CRM BA 29017 / RQE 27093 – Cirurgião de Cabeça e Pescoço – Salvador e Região
Especialista em nódulos na tireoide
