A cirurgia da tireoide (tireoidectomia) é um procedimento delicado, mas na maioria das vezes seguro e com ótimos resultados.
Uma das principais dúvidas dos pacientes é: como será meu acompanhamento depois da cirurgia?
A resposta depende do resultado final do anatomopatológico, exame que analisa a glândula retirada, e da indicação inicial da cirurgia (se por doença benigna ou maligna).
O papel do exame anatomopatológico
Após a cirurgia, a glândula tireoide retirada é enviada para análise em laboratório. Esse exame é chamado de anatomopatológico e é o que dá a resposta definitiva sobre o diagnóstico:
- Se era uma doença benigna (como bócio, nódulo benigno ou tireoidite).
- Se era um câncer de tireoide, além de informar:
- Qual o subtipo (papilífero, folicular, medular ou anaplásico).
- Grau de agressividade do tumor.
- Se houve invasão vascular ou em tecidos vizinhos.
- Se havia linfonodos comprometidos.
- Outras características que ajudam a decidir se será necessário um tratamento complementar, como a radioiodoterapia.
- Qual o subtipo (papilífero, folicular, medular ou anaplásico).
Ou seja: é o anatomopatológico que define o caminho do acompanhamento após a cirurgia.

Ricardo Zantieff – Referência em Cirurgião de Cabeça e Pescoço
Acompanhamento em casos de doenças benignas
Se o anatomopatológico confirmar que o nódulo ou a tireoide aumentada eram benignos, o acompanhamento costuma ser muito mais simples.
- Primeira revisão pós-operatória: alguns dias após a cirurgia, para avaliar cicatrização, retirar pontos (se houver) e ajustar medicações.
- Novos retornos: algumas semanas e depois alguns meses após a cirurgia, apenas para garantir boa evolução.
- Controle do cálcio: em alguns pacientes pode ocorrer queda transitória do cálcio no sangue (hipoparatireoidismo transitório). O acompanhamento garante o ajuste da suplementação até que os níveis se normalizem.
- Reposição hormonal:
- Se a cirurgia foi total (retirada completa da tireoide), será necessário tomar hormônio da tireoide diariamente, ajustado conforme o exame de TSH.
- Se foi apenas parcial (lobectomia), muitas vezes a glândula restante mantém a função normal e pode não ser necessário reposição.
- Se a cirurgia foi total (retirada completa da tireoide), será necessário tomar hormônio da tireoide diariamente, ajustado conforme o exame de TSH.
Na maioria dos casos benignos, após a recuperação inicial, o paciente pode ter alta do acompanhamento cirúrgico, mantendo apenas acompanhamento clínico de rotina.
Acompanhamento em casos de câncer de tireoide
Quando o anatomopatológico confirma câncer de tireoide, o acompanhamento é mais longo e cuidadoso.
Tratamento complementar
- Dependendo do tipo de câncer, do tamanho do tumor, da presença de linfonodos comprometidos ou da agressividade, pode ser indicado o tratamento com radioiodoterapia.
- O objetivo é eliminar possíveis células tireoidianas remanescentes e reduzir o risco de recidiva.
Exames de acompanhamento
- Tiroglobulina (Tg): é uma proteína produzida pelas células da tireoide. Após a tireoidectomia total e radioiodoterapia, a tiroglobulina deve estar indetectável. Se ela volta a subir, pode indicar presença de células tireoidianas ou recorrência do câncer.
- Anticorpo antitireoglobulina (anti-Tg): precisa ser dosado junto, pois pode interferir na leitura da tiroglobulina.
- Ultrassom cervical periódico: avalia o leito da tireoide e os linfonodos do pescoço.
Esses exames devem ser feitos regularmente ao longo dos anos, pois o câncer de tireoide pode ter recorrência mesmo muito tempo após o tratamento inicial.
Reposição hormonal e supressão de TSH
- Todo paciente que retira completamente a tireoide precisa usar hormônio tireoidiano (levotiroxina).
- No caso do câncer, além de repor o hormônio, muitas vezes é necessário manter o TSH em níveis mais baixos do que o normal.
- Isso é chamado de supressão hormonal.
- O objetivo é reduzir a estimulação de possíveis células malignas remanescentes.
- O nível de supressão varia conforme o risco do paciente:
- Baixo risco: alvo de TSH mais próximo do normal.
- Risco intermediário: TSH um pouco mais baixo.
- Alto risco: TSH mantido bastante suprimido.
- Baixo risco: alvo de TSH mais próximo do normal.
- Isso é chamado de supressão hormonal.
Essa decisão deve ser feita individualmente pelo cirurgião de cabeça e pescoço ou endocrinologista.
Conclusão
O acompanhamento após a cirurgia de tireoide depende do motivo da operação e, principalmente, do resultado do anatomopatológico.
- Nos casos benignos, geralmente é simples: revisão pós-operatória, boa cicatrização, ajuste de cálcio (se necessário) e reposição hormonal quando indicada.
- Nos casos malignos, o acompanhamento é mais detalhado e inclui exames periódicos (tiroglobulina, anti-Tg, ultrassom), avaliação de necessidade de radioiodoterapia e uso de hormônio tireoidiano em doses ajustadas para manter o TSH suprimido.
Se você já fez cirurgia de tireoide e tem dúvidas sobre o acompanhamento ou recebeu um diagnóstico de câncer de tireoide, agende sua consulta em Salvador. Vou revisar seus exames, explicar seu caso em detalhes e indicar o melhor plano de acompanhamento para sua segurança e tranquilidade.


Dr. Ricardo Zantieff
CRM BA 29017 / RQE 27093 – Cirurgião de Cabeça e Pescoço – Salvador e Região
Especialista em nódulos na tireoide
