Dr Ricardo Zantieff

Punção de Tireoide: quando me preocupar? Classificação Bethesda

punção aspirativa por agulha fina (PAAF)

Punção de Tireoide, a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é o principal exame utilizado para avaliar se um nódulo de tireoide é benigno ou maligno.
É um procedimento simples, realizado com uma agulha muito fina, guiada por ultrassom, que coleta células do nódulo para análise em laboratório.

Apesar de rápido e pouco doloroso, a PAAF fornece informações essenciais que ajudam a definir se o nódulo pode ser acompanhado com segurança ou se é necessário cirurgia.
O resultado é descrito pela Classificação Bethesda, sistema internacional que organiza os achados em seis categorias.

O que é a Classificação Bethesda?

A Classificação Bethesda foi criada para padronizar os laudos da punção de tireoide e indicar a conduta mais adequada.
Cada categoria tem um risco estimado de malignidade e orienta a decisão entre acompanhamento, repetição da punção, realização de exames complementares ou cirurgia.

Vamos detalhar uma por uma:

Nódulo-na-Tireoide
Nódulo na Tireoide

Bethesda I – Não diagnóstico / Amostra insatisfatória

  • Significado: o material colhido não foi suficiente para análise ou não tinha células adequadas.
  • Risco de malignidade: indeterminada, não da para dizer pois a amostra não foi adequada.
  • Conduta: repetir a punção, de preferência guiada por ultrassom.

Bethesda II – Benigno

  • Significado: achados compatíveis com alterações benignas, como bócio coloide, tireoidite de Hashimoto ou cistos tireoidianos.
  • Risco de malignidade: <3%.
  • Conduta: apenas acompanhamento com especialista e ultrassonográfico, sem necessidade de cirurgia, a não ser que o nódulo cause sintomas compressivos ou estéticos.

Bethesda III – Atipia de significado indeterminado (AUS) / Lesão folicular de significado indeterminado (FLUS)

  • Significado: o exame mostra alterações celulares discretas que não permitem concluir se é benigno ou maligno.
  • Risco de malignidade: 10 a 30%.
  • Possíveis condutas:
    • Repetir a punção (PAAF): em muitos casos, uma segunda coleta traz resultado mais conclusivo.
    • Exames moleculares: testes que identificam alterações genéticas associadas ao câncer de tireoide (como mutações em BRAF, RAS ou rearranjos RET/PTC).
      • Se o teste molecular mostra perfil benigno, muitas vezes é possível evitar cirurgia.
      • Se mostra perfil suspeito, aumenta a indicação de cirurgia.
    • Cirurgia (lobectomia ou total): indicada em alguns casos, especialmente quando o nódulo é grande, cresce rapidamente ou o ultrassom mostra características suspeitas.
  • Fatores adicionais que influenciam a decisão:
punção aspirativa por agulha fina (PAAF)
punção aspirativa por agulha fina (PAAF)
  • Achados do ultrassom (TIRADS): bordas irregulares, microcalcificações ou formato mais alto que largo aumentam a preocupação.
  • Histórico do paciente: exposição à radiação, histórico familiar de câncer de tireoide, doenças autoimunes.
  • Tamanho do nódulo: nódulos ≥ 4 cm geralmente têm maior indicação cirúrgica, mesmo em Bethesda III.
  • Sintomas: se o nódulo causa compressão ou incômodo, isso também pesa na decisão.

📌 Resumindo: Bethesda III não significa câncer, mas exige avaliação individualizada, muitas vezes com repetição de exames ou cirurgia diagnóstica.

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Bethesda IV – Neoplasia folicular ou suspeita de neoplasia folicular

  • Significado: as células sugerem neoplasia folicular, mas a PAAF não consegue diferenciar se é benigna (adenoma) ou maligna (carcinoma folicular), porque essa distinção só é possível avaliando a invasão do tecido, algo que só se vê na peça cirúrgica.
  • Risco de malignidade: 25 a 40%.
  • Conduta: geralmente cirurgia (lobectomia) para diagnóstico definitivo, mas representa uma zona cinzenta onde é preciso individualizar o tratamento para cada paciente..
Dr Ricardo Zantieff operando a tireoide

Bethesda V – Suspeito de malignidade

  • Significado: achados fortemente sugestivos de câncer, mais comumente carcinoma papilífero.
  • Risco de malignidade: 60 a 75%.
  • Conduta: cirurgia indicada, podendo ser lobectomia ou tireoidectomia total, conforme avaliação do especialista.

Bethesda VI – Maligno

  • Significado: achados típicos de carcinoma papilífero, carcinoma medular ou outro tipo de câncer de tireoide.
  • Risco de malignidade: 97 a 99%.
  • Conduta: cirurgia indicada, podendo ser acompanhada de radioiodoterapia em alguns casos.

Conclusão

A punção de tireoide (PAAF) é um exame seguro e fundamental para definir a conduta diante de nódulos.
A classificação Bethesda ajuda a estimar o risco e a orientar os próximos passos, mas nunca deve ser interpretada isoladamente.

📌 É essencial considerar também:

  • As características do ultrassom (TIRADS);
  • O tamanho do nódulo;
  • O histórico clínico e familiar;
  • Os sintomas do paciente;
  • Quando disponível, os testes moleculares, que podem reduzir a necessidade de cirurgias desnecessárias em casos indeterminados.

📅 Se você recebeu um resultado de punção e está em dúvida sobre o significado, agende sua consulta em Salvador. Vou analisar seus exames de forma detalhada, considerar todos os fatores de risco e indicar o melhor caminho para o seu caso.

Dr. Ricardo Zantieff

Dr. Ricardo Zantieff

CRM BA 29017 / RQE 27093 – Cirurgião de Cabeça e Pescoço – Salvador e Região
Especialista em nódulos na tireoide

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