Os cânceres de glândulas salivares são tumores raros, mas que exigem atenção especial pela sua diversidade de tipos, graus de agressividade e pela complexidade no tratamento.
O que são as glândulas salivares?

O corpo humano possui dois grandes grupos de glândulas salivares:
🔹 Glândulas salivares maiores
- Parótidas: localizadas à frente e abaixo das orelhas.
- Submandibulares: localizadas abaixo da mandíbula.
- Sublinguais: localizadas abaixo da língua.
Nessas glândulas, a maioria dos tumores é benigna, especialmente na parótida.
🔹 Glândulas salivares menores
- São centenas de pequenas glândulas espalhadas pela mucosa da boca, lábios, palato (céu da boca), língua e faringe.
- Embora menores e menos conhecidas, nelas a chance de um nódulo ser maligno é maior do que nas glândulas maiores.
Como o câncer de glândula salivar se apresenta?
Na maioria das vezes, ele se manifesta como:
- Nódulo ou abaulamento na região da bochecha, mandíbula, lábios ou céu da boca.
- Pode ser indolor e de crescimento lento, o que retarda o diagnóstico.
- Em casos mais avançados, pode causar:
- Dor persistente.
- Alteração da sensibilidade.
- Fraqueza ou paralisia de parte da face (quando invade o nervo facial).
- Dificuldade para engolir ou falar, quando está em glândulas menores na boca/faringe.
- Dor persistente.
Tipos de câncer de glândula salivar
Existem diversos tipos histológicos de câncer de glândula salivar, cada um com características próprias. Alguns dos mais comuns são:
- Carcinoma mucoepidermoide: o tipo maligno mais frequente; pode variar de baixo a alto grau de agressividade.
- Carcinoma adenoide cístico: conhecido pelo crescimento lento, mas com alta chance de invasão de nervos e recorrência a longo prazo.
- Carcinoma ex-adenoma pleomórfico: surge a partir de um tumor benigno (adenoma pleomórfico) que se transformou em maligno.
- Adenocarcinomas: grupo variado de tumores malignos de diferentes graus de agressividade.
- Outros tipos raros, como carcinoma de células acinares, carcinoma de ducto salivar e sarcomas.
📌 Importante: cada subtipo tem prognóstico e tratamento diferentes, o que reforça a necessidade de avaliação em centro especializado.
Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico envolve:
- Exame clínico e de imagem: ultrassom, tomografia ou ressonância para avaliar tamanho e extensão.
- Punção aspirativa por agulha fina (PAAF): coleta de células para estudo inicial.
- Biópsia: em alguns casos, é necessária para confirmação do subtipo histológico.
- Estadiamento: exames adicionais (tomografia, PET-CT) podem ser solicitados para verificar extensão da doença.
Por que o tratamento é complexo?
O tratamento do câncer de glândula salivar deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, porque essas lesões podem comprometer estruturas nobres (como nervos, vasos e músculos da face e do pescoço).
A cirurgia é a base do tratamento
- A ressecção cirúrgica completa é o tratamento principal.
- Em glândulas maiores, pode envolver desde uma parotidectomia parcial até ressecções mais amplas.
- Em casos avançados, pode ser necessário retirar linfonodos do pescoço (esvaziamento cervical).
- O objetivo é sempre garantir margens livres de tumor, mantendo a maior preservação funcional possível.
Tratamentos complementares
- Radioterapia adjuvante: indicada em tumores de alto grau, margens comprometidas ou presença de invasão neural.
- Quimioterapia ou imunoterapia: usadas em casos avançados ou metastáticos (menos comuns).
Prognóstico
O prognóstico depende de:
- Tipo histológico (alguns são de baixo grau e outros bastante agressivos).
- Tamanho do tumor e estágio no diagnóstico.
- Comprometimento de nervos e linfonodos.
Tumores de baixo grau tratados precocemente podem ter altas taxas de cura, enquanto tumores agressivos exigem acompanhamento prolongado e vigilância rigorosa.
Conclusão
O câncer de glândula salivar é uma doença rara, mas complexa, com diferentes graus de agressividade e formas de tratamento.
O diagnóstico é feito por biópsia e exames de imagem, e o tratamento cirúrgico especializado é a base, frequentemente associado a radioterapia em casos selecionados.
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Dr. Ricardo Zantieff
CRM BA 29017 / RQE 27093 – Cirurgião de Cabeça e Pescoço – Salvador e Região
Especialista em Câncer de Glândula Salivar
