Punção de Tireoide, a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é o principal exame utilizado para avaliar se um nódulo de tireoide é benigno ou maligno.
É um procedimento simples, realizado com uma agulha muito fina, guiada por ultrassom, que coleta células do nódulo para análise em laboratório.
Apesar de rápido e pouco doloroso, a PAAF fornece informações essenciais que ajudam a definir se o nódulo pode ser acompanhado com segurança ou se é necessário cirurgia.
O resultado é descrito pela Classificação Bethesda, sistema internacional que organiza os achados em seis categorias.
O que é a Classificação Bethesda?
A Classificação Bethesda foi criada para padronizar os laudos da punção de tireoide e indicar a conduta mais adequada.
Cada categoria tem um risco estimado de malignidade e orienta a decisão entre acompanhamento, repetição da punção, realização de exames complementares ou cirurgia.
Vamos detalhar uma por uma:

Bethesda I – Não diagnóstico / Amostra insatisfatória
- Significado: o material colhido não foi suficiente para análise ou não tinha células adequadas.
- Risco de malignidade: indeterminada, não da para dizer pois a amostra não foi adequada.
- Conduta: repetir a punção, de preferência guiada por ultrassom.
Bethesda II – Benigno
- Significado: achados compatíveis com alterações benignas, como bócio coloide, tireoidite de Hashimoto ou cistos tireoidianos.
- Risco de malignidade: <3%.
- Conduta: apenas acompanhamento com especialista e ultrassonográfico, sem necessidade de cirurgia, a não ser que o nódulo cause sintomas compressivos ou estéticos.
Bethesda III – Atipia de significado indeterminado (AUS) / Lesão folicular de significado indeterminado (FLUS)
- Significado: o exame mostra alterações celulares discretas que não permitem concluir se é benigno ou maligno.
- Risco de malignidade: 10 a 30%.
- Possíveis condutas:
- Repetir a punção (PAAF): em muitos casos, uma segunda coleta traz resultado mais conclusivo.
- Exames moleculares: testes que identificam alterações genéticas associadas ao câncer de tireoide (como mutações em BRAF, RAS ou rearranjos RET/PTC).
- Se o teste molecular mostra perfil benigno, muitas vezes é possível evitar cirurgia.
- Se mostra perfil suspeito, aumenta a indicação de cirurgia.
- Se o teste molecular mostra perfil benigno, muitas vezes é possível evitar cirurgia.
- Cirurgia (lobectomia ou total): indicada em alguns casos, especialmente quando o nódulo é grande, cresce rapidamente ou o ultrassom mostra características suspeitas.
- Repetir a punção (PAAF): em muitos casos, uma segunda coleta traz resultado mais conclusivo.
- Fatores adicionais que influenciam a decisão:

- Achados do ultrassom (TIRADS): bordas irregulares, microcalcificações ou formato mais alto que largo aumentam a preocupação.
- Histórico do paciente: exposição à radiação, histórico familiar de câncer de tireoide, doenças autoimunes.
- Tamanho do nódulo: nódulos ≥ 4 cm geralmente têm maior indicação cirúrgica, mesmo em Bethesda III.
- Sintomas: se o nódulo causa compressão ou incômodo, isso também pesa na decisão.
📌 Resumindo: Bethesda III não significa câncer, mas exige avaliação individualizada, muitas vezes com repetição de exames ou cirurgia diagnóstica.
Bethesda IV – Neoplasia folicular ou suspeita de neoplasia folicular
- Significado: as células sugerem neoplasia folicular, mas a PAAF não consegue diferenciar se é benigna (adenoma) ou maligna (carcinoma folicular), porque essa distinção só é possível avaliando a invasão do tecido, algo que só se vê na peça cirúrgica.
- Risco de malignidade: 25 a 40%.
- Conduta: geralmente cirurgia (lobectomia) para diagnóstico definitivo, mas representa uma zona cinzenta onde é preciso individualizar o tratamento para cada paciente..

Bethesda V – Suspeito de malignidade
- Significado: achados fortemente sugestivos de câncer, mais comumente carcinoma papilífero.
- Risco de malignidade: 60 a 75%.
- Conduta: cirurgia indicada, podendo ser lobectomia ou tireoidectomia total, conforme avaliação do especialista.
Bethesda VI – Maligno
- Significado: achados típicos de carcinoma papilífero, carcinoma medular ou outro tipo de câncer de tireoide.
- Risco de malignidade: 97 a 99%.
- Conduta: cirurgia indicada, podendo ser acompanhada de radioiodoterapia em alguns casos.
Conclusão
A punção de tireoide (PAAF) é um exame seguro e fundamental para definir a conduta diante de nódulos.
A classificação Bethesda ajuda a estimar o risco e a orientar os próximos passos, mas nunca deve ser interpretada isoladamente.
📌 É essencial considerar também:
- As características do ultrassom (TIRADS);
- O tamanho do nódulo;
- O histórico clínico e familiar;
- Os sintomas do paciente;
- Quando disponível, os testes moleculares, que podem reduzir a necessidade de cirurgias desnecessárias em casos indeterminados.
📅 Se você recebeu um resultado de punção e está em dúvida sobre o significado, agende sua consulta em Salvador. Vou analisar seus exames de forma detalhada, considerar todos os fatores de risco e indicar o melhor caminho para o seu caso.

Dr. Ricardo Zantieff
CRM BA 29017 / RQE 27093 – Cirurgião de Cabeça e Pescoço – Salvador e Região
Especialista em nódulos na tireoide
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